Sunday, August 26, 2007

O eu escondido.

Eu, desde sempre soube que havia um algo mais em mim querendo gritar. Já me imaginava com as roupas que uso, com as que a usei e provavelmente com as que ainda vou vir a usar. Me identificava com o punk sem mal saber da sua existência, lia tudo sobre horóscopos e pregava terceiros olhos comprados nessas barraquinhas diversas e usava roupas de cigana. Baiano assim, se meios termo.
Mas até então prevalecia em mim o espírito barbie, de que o mundo era perfeito e tudo sempre viria até mim sem eu precisar questionar, ou de que eu sempre teria amigos e todo mundo me acharia linda, e que o mundo era rodeado de princesas como eu e seus respectivos príncipes encantados. Foi então que entrei na escola. - E não vou dizer que não foi uma coisa ruim, porque foi a pior coisa que já me aconteceu até então, mas, ao mesmo tempo, foi o que me moldou e me fez tornar o que sou hoje, e conseqüentemente o que virei a ser amanhã. - Vi tudo o que eu era indo por água abaixo, o que eu seria também, e, mais ainda, senti dentro de mim a ocultação do sentimento de liberdade, de me expressar e de sorrir sem pensar no possível incômodo dos demais com a minha presença. Ta aí: ganhei os piores apelidos, fui considerada a mais feia de toda a turma e era motivo de deboche sempre que surgia uma oportunidade.
Passei a me fechar, me senti oprimida, perseguida. Chorei sozinha as lágrimas mais lastimáveis e provei da mais intensa rejeição, era como se cada atitude minha trouxesse pro mundo uma catástrofe imperdoável. Pensava num mundo melhor, com menos preconceito, mas por que ouvir minhas próprias idéias? Sequer eu as queria. Sequer eu me suportava!
Não tive irmãos, nem nunca pude brincar na rua com a vizinhança, e isso foi mais um escopo pra que a razão me negasse espaço dentro dela. Pudera eu ter conhecido antes do gosto racional, sei que jamais teria o coração trancado e esmurraçado que hoje tento consertar.
Eu, melhor do que ninguém, sei que poucas pessoas passam por tudo o que eu tive que passar, e mais ainda como é superar isso, porque o mundo sempre vai te reprimir, sempre vai estar tentando sobrepor o que você mostra à ele com algo que ele julga melhor, esperando o teu nariz direcionado ao humilhante, ao cabisbaixo. O mundo é nada mais que um grande repressor, até que você o enfrente, o encare, até você se tornar forte, bruto e anestésico suficiente para com as imposições que ele tentar lhe fizer diante de você. Aí sim, quando você levantar sua cabeça, bater o teu pé e colocar no mais alto nível de esnobe a ponta do teu nariz, aí sim ele te aplaudirá. E o que me entristece é que as pessoas não conseguem enxergar isso com tanta facilidade. Vejo crianças entrando em depressões de uma intensidade notória e preocupante, que mal sabem o porque da própria dor, mas sabem que sentem dor.
A alforria está em todos nós, só que, mais uma vez, oprimida por nós mesmos, devido ao medo de se sujeitar à ridicularização. Uma vez que provada a ousadia, os berros, ou mesmo os olhares espantosos e tortos, você jamais vai querer voltar ao mundo em que vivera antes, isso eu posso afirmar com sustância direta. Nada do que vivi foi em vão, nada. Houveram pedras em que pisei que me serviram muito utilmente a aprimorar minhas filosofias de buteco, que um dia podem vir a serem um livro, e que, mesmo se não forem, fizeram parte de mim e do meu crescimento.
Bora moldar?



- Amor, eu te amo sempre, meu lindo!


Nota: odeio textos de auto ajuda, e, apesar de achar que isso não deva ser considerado um texto de auto ajuda... sei lá, esqueci o que ia escrever.

Friday, August 17, 2007

prazer, surreal.

explodi. de imensa que sou, explodi marrom chocolate.
ridicularizei. encurtei cada passo até aqui, enquanto o corredor esticava-se.
sufoquei. ocultei meu próprio eu, ocultaram-me.
recuei. fechei novamente a porta do inconsciente, e a reabri.

não será necessário um divã, não serão necessários cinco anos de estudo. deixe-me, deixe aberto o mais ridicularizante de mim!
mal importam as palavras mal ditas, escritas ou mesmo feitas, há sempre como modificá-las.
dê-me o mundo, dê-me o mundo de sofia!
entrego-te, neura, entrego-te a mim mesma, pois de mim, fará alguém maior. convertei-te-ei, e não há barreira suficiente para que tamanha tamanhez não possa livrar-se.
sempre me perseguirei, sempre se perseguirá. eu não mais me importo, ainda assim me importando.
ocultei os últimos versos, mas libertai-vos-ei, breve.


e viva o impulso, o repulso, o re-eu.
de refazer, remontar, restaurar...
maldita seja nossa sociedade! vossa sociedade!
malditos sejamos nós!
aproveitemos os treze anos restantes. sem filhos, sem tréguas, mas com muitos livros e muito amor.

deu-me o mundo. deu-me o mundo que o oculto ocultou.
voltei a falar comigo mesma, sem pretender me justificar em "ps´s".


http://www.culturabrasil.pro.br/surreal.htm

Tuesday, August 14, 2007

Ana Luísa, o panda e o coelho.

À você.
Bem essa coisa Clarice mesmo. Estranha essa conciliação entre sentimento, escrita e leitura, - ou não. Tudo agora parece tão intenso e profundo quanto o amargo gosto presente em minha boca.
E quem é que serão as nossas Macabéas, agora que o foco desfocado está prestes a se centrar? Quem é a minha Macabéa? Fora eu. Mas já lancei todos os meus respectivos temores ao vento, e voam eles junto aos pássaros, mais livres do que minha pessoa.
Era ela o mais oculto de mim, o meu maior eu. Borbulhava em meu interior feito cuspe em boca de criança. Era o melhor de mim, o meu ponto de encontro com meu verdadeiro eu.
É chegada a hora. É chegada a hora da estrela!
Exploda, coração! Aplausos, gritos, efusividade, alforria, ó, quanta alforria!
Morreu em mim, em nós.



Rodrigo, mais uma vez, EU TE AMO!
(Céus, de onde vem tamanho sentimento?)