Wednesday, December 12, 2007

araD.

"- Você acredita em milagres?
- Hoje não."



uma semana, dois dias e algumas horas de alguma eternidade que se iniciava - ou não.

Cafeína.

Tomou-me o tal desconforto existencial. Eu, que achava estar bem resolvida com meu ego, me encontro perdida.
Fica a falta, o cheiro, as fotos, a concha.
Vai-se o coração, a concentração, a estabilidade.
A cada minuto que corre nasce defronte minhas escolhas uma nova rua, que não findará coincidente com nenhuma das demais. Não há mais quarto, sequer sensibilidade.
Não sei, deveras, há tempos o que é sentir. Não sinto mal, não sinto bem, não sinto.
Mal vale a abstinência, as lágrimas supérfluas, a indecisão. Não mais me importo. Sei que no fim, a dor de cabeça sempre acabará numa xícara de café.

Que é a morte?

Nos tornamos nostalgia. Não passamos de morte conjunta, más lembranças. Me embaraço tentando o desenlace dessa dúvida que tanto me abate: tudo, para nada?!
Que fomos? Diga! Que fomos?
Se tornou abstinência, me tornei falso moralismo.
Parabenizar-te por mais um ano sem mim, que não faço falta, enquanto você faz.

Wednesday, November 28, 2007

Não findar.

Não sei se sou, não sei se algum dia soube. Mas cá estou eu, a procura de mim novamente. Que aspereza há em mim, que choque há entre minha busca e as palavras - palavras -.
Não esquecer, nem julgar, nem desistir, nem tentar. Que sou? Mal sei. Redundo, afim de algo que talvez satisfaça meu desconhecer.
Ah, sanidade! Que saudade de ti. Que saudade de sofrer contigo noites claras em sentimentos obscuros. Que saudade de mim. Que saudade de saber sentir, de não saber nada.
Falta sentir dizeres, falta em mim, nada mais que eu.
E que não me mal entenda, eu já não sou de explicâncias.
Eu Eu Eu
Fim.

Monday, November 12, 2007

Eu, óbice do meu.

Saltei de mim. Há tempos faltam-me palavras. Eu, que me fazia puramente de palavras, e mais palavras.
Não sei que me trouxe tal malogrado. Não sei se lapso, colapso, ou mesmo acaso.
Fora eu? Também não sei. Se fora, agora não mais, já que saltei lá longe, onde não sei qual é.
É. Inté, ego querido! - levantando o chapéu de palha no exato momento em que abaixava a cabeça. Um saudoso gesto de cumplicidade, e nada além-.

Monday, October 29, 2007

Nitidez da alma

Faltavam-lhe modos. Não tinha lá jeito pra essas formalidades da vida, não se focava no passado, e menos ainda com o futuro. Era ela, puramente dito.

Estava. Disso sabia, - era óbvio -, sabia também porque, mas não mostrava expressamente o que lhe palpava o peito – ou não sentia. Não gostava de efusões, menos ainda de extremos.

Tinha lá seus sonhos, seus gostos da vida, suas preferências, mas nada era intenso, exceto teu brilho. Era fácil notar a existência dela, sua ausência de jeitosidade com o mundo, seus cabelos caídos frente os olhos, sua tranqüilidade e sorriso manso, tudo, tudo nela era adorável. Até mesmo tamanha magreza, até mesmo os ossos estufados mostravam excelência. Era concebível.

Não ligava para o mundo, apesar de aceita-lo, mas ele sim, tinha uma atenção toda virada pra ela, em cada movimento saudoso que era, a meus olhos, fascinante.

Não era surpreendida, mas sabia exatamente como surpreender.

Seguia apenas, com a mais equilibrada das dosagens.

Wednesday, October 24, 2007

Aula de biologia

Perdi o encanto da vida,
Perdi-me no desencanto.
Vejo lástimas rondando mundo afora, enquanto o tempo não para.

Aprende-se com dor,
Apanha-se e descobre.
Há sofrimento,
Há corrupção,
Há luxúria.
Somos um mesclado. Uma receita de bolo mal feita. Um erro de culinária.

E o relógio tiquetaqueava...

Há executivo querendo relva molhada nos pés, há camponesa sonhando se globalizar. Há bronca.

É mesclado que não pode mesclar,
É receita que não pode errar,
É mundo.

É isso.
É aquilo.
Aquilo que não pode ser.

Enquanto utopias se dissipam, aviões explodem, burguês contrabandia, negro se sente inferior.

É isso,
É Deus,
É dízima,
É a reza que ajunta mãos caleijadas e dobra joelhos sem cálcio.

São os olhos sem brilho,
É criança sem doce,
É amor que não dura,
É realidade.

Thursday, October 18, 2007

Recaptulei-me.
Partia eu, ao longo de pastos desertos e secos, sem sequer saber onde ia.
Quero-me. Quero-me perto. Quero-me aqui, bem aqui.
Traga pedras, espinhos, traga feridas, traga. Trago.
E o relógio tiquetaqueava...


Onde estás, orgulho? Onde foras parar?
Por algum acaso, se perdera nos raros orvalhos.
São incertezas... É tudo. É só.

Wednesday, October 03, 2007

Grito inócuo

Eu os olhava, observando cada pequeno detalhe que mal pudesse vir a chamar a atneção das demais pessoas. Eles. Pequenos, frágeis, livres, sozinhos, amargurados. Eles. Pequenos adultos, diga-se de passagem.
Mantive-me imóvel, observando. Ora um deles fitava minha bolsa com jeito animalesco, como o predador diante sua presa. Mal via ele se eu o observava, se meu olhar era de pena ou curiosidade, não tinha encantos para isso, se importava apenas em vender o restante de balas existentes dentro da caixa, que se mantinha cheia.
Pequenos temas da patologia social. Sujos, miseráveis, animalescos! Quase uma renúncia ao belo e ao agradável, uma obra naturalista viva, defronte minha pessoa. O mais degradante e amargo, - feito aqueles pequenos corações -, era o contraste que me fazia aos olhos entre as crianças dentro dos carros parados no sinaleiro, recheadas de infância e brinquedos como mp3, enquanto, na janela do mesmo carro importado e luxuoso, os pequenos seres imploravam pela compra das balas que vendiam. Cena angustiante, contraditória e pitoresca, que me fez direcionar um sorriso sarcástico e desprezível à sociedade.
Era noite. Eu havia saído de casa após uma briga com meus pais, uma pequena discórdia de opiniões. De repente, reconheço o rosto do menino de olhar animalesco, era o mesmo garoto que aparecera nos jornais cerca de um mês antes: assassinara os pais após vê-los abusando sexualmente de sua irmã mais nova. Por aquele dia bastava. Comprei as balas restantes na caixa do garoto e retornei para casa.

Monday, October 01, 2007

Toque de simplicidade.

Descobri que vivo de abstinência. Fim.

Thursday, September 13, 2007

Macabéa.

Não há de ser outro título. Macabéa tituleia. Macabéa me mata.
Tão perto à minha presença, tão presente àquele momento, tão ausente e distante de si.
Eu a amo, Macabéa! Meu eu ama o teu.
Meu martírio! Meu passado! Meu esconderijo!
Macabéa, assassina de palavras.
Confesso: não senti tremor algum diante suas marcas de pus acumulado que tanto te rebelam.
Não se odeie. Não odeie o meu amor.
O preferencial, sem dúvidas, é fugir de tamanha complexidade. Pudera eu chegar até o fim. Pudera eu abraçar Macabéa, que não é minha, mas é Macabéa, - ainda que não queira ser.

Gritem, Macabéas:
"Luto para viver, vivo para morrer
Enquanto minha morte não vem
Eu vivo de brigar contra o rei"

Sucumbi-vos-ei, ora que, mal faz coçar a agonia pelo repetido. Repito, repito, repito! (Macabéa, macabéa, macabéa!)
Eis o tiro ao álvaro.

Sunday, September 02, 2007

Inigual.

Definitivamente, o respeito virou prioridade de poucos. E isso, numa proporção tão intensa, que chega a deixar dentro de mim sentimentos um tanto aflitos.
Andei refletindo por esses tempos, sobre a questão do respeito, da tolerância que os egos tem em relação as diferenças, e, principalmente, como eu tenho agido nesse quesito. Vi que pessoas que quero muito bem são totalmente inescrepulosas quando vão tratar de assuntos que, na verdade, não abrigam tamanha severidade, como por exemplo, artes corporais (piercings, tatuagens) ou homossexualismo. Me encontro num estado máximo de indignação quando vejo que a sociedade atual ainda insiste em tentar anular, - ou simplesmente manter à uma distância considerável -, pessoas dignas de admiração, pelo simples e renunciável fato de que elas não são como o padrão determinou que fossem. Já não é considerado termos que nos submeter à um sistema falho e esmagante com direitos de escolha quase nulos?
Não posso me incumbir de ser a pessoa que maior respeita as diferenças existentes entre os meus defeitos e as qualidades alheias - e vice-versa - , até porque, não é a perfeição quem me fará alguém melhor. A perfeição é nauseante, repugnante, enjoativa. Se não há diferenças, aí sim, não há perfeição.
O quesito-chave não é ditatoriar o livre arbítrio alheio, ou mesmo fingir que não existam diferenças; É chegar ao ponto de tratá-las com insignificância, sem repudios, sem meios-termo, sabendo que, por mais afinidade que exista entre você e outro alguém, - do mesmo sexo ou não -, essa pessoa não é obrigada a corresponder suas opiniões, assim como você também não é obrigado a agir exatamente como ela almeja.
É cansaço tentar convencer sem que queiram se convencer. O que há é nós conscitentizarmos de que não somos iguais, nunca seremos e principalmente de que, talvez não seja esse o nosso real objetivo.




Te amo, Rodrigo. Te amo sempre!

Sunday, August 26, 2007

O eu escondido.

Eu, desde sempre soube que havia um algo mais em mim querendo gritar. Já me imaginava com as roupas que uso, com as que a usei e provavelmente com as que ainda vou vir a usar. Me identificava com o punk sem mal saber da sua existência, lia tudo sobre horóscopos e pregava terceiros olhos comprados nessas barraquinhas diversas e usava roupas de cigana. Baiano assim, se meios termo.
Mas até então prevalecia em mim o espírito barbie, de que o mundo era perfeito e tudo sempre viria até mim sem eu precisar questionar, ou de que eu sempre teria amigos e todo mundo me acharia linda, e que o mundo era rodeado de princesas como eu e seus respectivos príncipes encantados. Foi então que entrei na escola. - E não vou dizer que não foi uma coisa ruim, porque foi a pior coisa que já me aconteceu até então, mas, ao mesmo tempo, foi o que me moldou e me fez tornar o que sou hoje, e conseqüentemente o que virei a ser amanhã. - Vi tudo o que eu era indo por água abaixo, o que eu seria também, e, mais ainda, senti dentro de mim a ocultação do sentimento de liberdade, de me expressar e de sorrir sem pensar no possível incômodo dos demais com a minha presença. Ta aí: ganhei os piores apelidos, fui considerada a mais feia de toda a turma e era motivo de deboche sempre que surgia uma oportunidade.
Passei a me fechar, me senti oprimida, perseguida. Chorei sozinha as lágrimas mais lastimáveis e provei da mais intensa rejeição, era como se cada atitude minha trouxesse pro mundo uma catástrofe imperdoável. Pensava num mundo melhor, com menos preconceito, mas por que ouvir minhas próprias idéias? Sequer eu as queria. Sequer eu me suportava!
Não tive irmãos, nem nunca pude brincar na rua com a vizinhança, e isso foi mais um escopo pra que a razão me negasse espaço dentro dela. Pudera eu ter conhecido antes do gosto racional, sei que jamais teria o coração trancado e esmurraçado que hoje tento consertar.
Eu, melhor do que ninguém, sei que poucas pessoas passam por tudo o que eu tive que passar, e mais ainda como é superar isso, porque o mundo sempre vai te reprimir, sempre vai estar tentando sobrepor o que você mostra à ele com algo que ele julga melhor, esperando o teu nariz direcionado ao humilhante, ao cabisbaixo. O mundo é nada mais que um grande repressor, até que você o enfrente, o encare, até você se tornar forte, bruto e anestésico suficiente para com as imposições que ele tentar lhe fizer diante de você. Aí sim, quando você levantar sua cabeça, bater o teu pé e colocar no mais alto nível de esnobe a ponta do teu nariz, aí sim ele te aplaudirá. E o que me entristece é que as pessoas não conseguem enxergar isso com tanta facilidade. Vejo crianças entrando em depressões de uma intensidade notória e preocupante, que mal sabem o porque da própria dor, mas sabem que sentem dor.
A alforria está em todos nós, só que, mais uma vez, oprimida por nós mesmos, devido ao medo de se sujeitar à ridicularização. Uma vez que provada a ousadia, os berros, ou mesmo os olhares espantosos e tortos, você jamais vai querer voltar ao mundo em que vivera antes, isso eu posso afirmar com sustância direta. Nada do que vivi foi em vão, nada. Houveram pedras em que pisei que me serviram muito utilmente a aprimorar minhas filosofias de buteco, que um dia podem vir a serem um livro, e que, mesmo se não forem, fizeram parte de mim e do meu crescimento.
Bora moldar?



- Amor, eu te amo sempre, meu lindo!


Nota: odeio textos de auto ajuda, e, apesar de achar que isso não deva ser considerado um texto de auto ajuda... sei lá, esqueci o que ia escrever.

Friday, August 17, 2007

prazer, surreal.

explodi. de imensa que sou, explodi marrom chocolate.
ridicularizei. encurtei cada passo até aqui, enquanto o corredor esticava-se.
sufoquei. ocultei meu próprio eu, ocultaram-me.
recuei. fechei novamente a porta do inconsciente, e a reabri.

não será necessário um divã, não serão necessários cinco anos de estudo. deixe-me, deixe aberto o mais ridicularizante de mim!
mal importam as palavras mal ditas, escritas ou mesmo feitas, há sempre como modificá-las.
dê-me o mundo, dê-me o mundo de sofia!
entrego-te, neura, entrego-te a mim mesma, pois de mim, fará alguém maior. convertei-te-ei, e não há barreira suficiente para que tamanha tamanhez não possa livrar-se.
sempre me perseguirei, sempre se perseguirá. eu não mais me importo, ainda assim me importando.
ocultei os últimos versos, mas libertai-vos-ei, breve.


e viva o impulso, o repulso, o re-eu.
de refazer, remontar, restaurar...
maldita seja nossa sociedade! vossa sociedade!
malditos sejamos nós!
aproveitemos os treze anos restantes. sem filhos, sem tréguas, mas com muitos livros e muito amor.

deu-me o mundo. deu-me o mundo que o oculto ocultou.
voltei a falar comigo mesma, sem pretender me justificar em "ps´s".


http://www.culturabrasil.pro.br/surreal.htm

Tuesday, August 14, 2007

Ana Luísa, o panda e o coelho.

À você.
Bem essa coisa Clarice mesmo. Estranha essa conciliação entre sentimento, escrita e leitura, - ou não. Tudo agora parece tão intenso e profundo quanto o amargo gosto presente em minha boca.
E quem é que serão as nossas Macabéas, agora que o foco desfocado está prestes a se centrar? Quem é a minha Macabéa? Fora eu. Mas já lancei todos os meus respectivos temores ao vento, e voam eles junto aos pássaros, mais livres do que minha pessoa.
Era ela o mais oculto de mim, o meu maior eu. Borbulhava em meu interior feito cuspe em boca de criança. Era o melhor de mim, o meu ponto de encontro com meu verdadeiro eu.
É chegada a hora. É chegada a hora da estrela!
Exploda, coração! Aplausos, gritos, efusividade, alforria, ó, quanta alforria!
Morreu em mim, em nós.



Rodrigo, mais uma vez, EU TE AMO!
(Céus, de onde vem tamanho sentimento?)

Thursday, July 12, 2007

Obscuridade fluorescente

Pela primeira vez, dentre suspiros cansados que buscavam inspiração, surge um fim. - Não antes do começo, mas isso é o de menos diante de tamanha altura -. E foi como fluorescer de maneira inesperada e encantadora a vida, que brilhava céu afora, enquanto o mundo continuava a chacoalhar bocejos. Mais detalhadamente falando: explosão.
É que tudo andava claro em demasia, e, aquela velha luz no fim do túnel, (a luz obscura), surge com seu plano de fundo negro, hora lá com bolinhas laranjas, ora ca com algumas verdes, mas era tudo detalhe, coisa dela que tinha lá suas manias de parecer normal frente aos demais. (Era tímida - quase isso).
Eis que desliga-se o chuveiro. Caem aquelas últimas gotas que, num lapso foram desejadas por um instante a mais, mas não. Era hora de enxugar.
Nenhum conflito cotidiano dera as caras, e isso parecia ser algo positivo, mas só parecia. Enquanto o mundo externo lhe aplaudia, o interno lhe massacrava. Sentia-se triturar como máquina de moer café moendo o café.
E surge-lhe denovo a luz no fim do túnel. Mas não a mesma de antes, dessa vez, luminava. Luminava a ponto de cegar-lhe os olhos para o alheio, mas dentro de si ainda corroía tamanha corroção. Era constante, estável. Uma estabilidade nada favorável.
Agora a lavanca da porta se move, indicando algo bom, a ponto de poder deixar aqui assim como está: para dentro. (Bum!).
Ruflavam os tambores, enquanto a música nostálgica avisava a morte de alguém que não devia ter morrido.
Antes destes, o mundo fizera um barulho estrondoso e aquele lugar que não importava qual era se tornara suficientemente sujo, bagunçado, e... Adorável. Plausível essa arte de foder com o que denominam vida, pelo menos enquanto nada está nos conformes. Na verdade me perdi.
Enfim, mundo, obrigada por estar tão colorido.


Obrigada por ser minha reluzência.

Thursday, June 28, 2007

A arte de assoprar as vel(h)inhas.

"A Naiara faz anos
O azar é só dela
Cada ano que passa
Ela fica mais velha"


Tragicamente realista, não?!
Vou lá eu, comemorar mais um ano perdido, - denomina-se ganho -, porém, dessa vez será diferente. Meu marco. Meu marcante. Meu mar.

Enquanto isso, tudo continua sendo relativo.

Monday, June 18, 2007

pontilhados

Borbulhas.
Borbulhas e um óculos, algumas revoltas e uns sentimentos já anestesiados. A perseguição no interior, e aquela música que toca no rádio o tempo todo de alguma cantora famosa popular e sem diferencial algum, mas que te faz sentir algo bom... Ou apenas desviar o olhar de si para outro lado.
Deixar fluir, e tentar não contornar tanto. Talvez seja coisa de moldurista, essa mania de moldar tudo dali, daqui... Essa tal busca pela perfeição.
Continuo aqui, com cabelos tingidos e uma raiz de três dedos, pacífica, escondida, me escondendo de mim. Fingindo estar tudo bem, para que doa menos. Porque encarar dói mais.
Covardia sincera, bacana. Ou não.
Não adianta dizer à ninguém. Não é a mesma sensação.

E observar rostos. Como eu tenho os observado! Mal importa isso no meu fingimento agora.
E martela a dor na cabeça quente, quente de fervura.
Fervura de questões mal respondidas. De costas postas à minha frente.
E é a minha mão quem vai me apoiar para que eu me levante.


Treme, teme.
Teme o temor.
Teme o tumor.
Não me mate!
Não me mate como matei seu braço.


O laço sob tua cabeça é mais plausível que um espetáculo de grande platéia, vossa, nossa, sua, nua. Enquanto você pede uma pata, eu imploro o vento que há la fora, e que não posso sentir.


E que venha mais amor...

Tuesday, June 12, 2007

O melhor de mim

E da-lhe interrogações. Se é que tem mesmo alguma determinação limitada... Não, não tem. Não há nada que possa superar andar pelas ruas, sentindo o vento bater no meu rosto num meio dia da vida qualquer, segurando sua mão. Melhor: sentindo sua mão segurar a minha.
Essa coisa de me chamar de linda até mesmo quando eu to mais mal feita que muita coisa. É. Você é. Eu sou, com você.
Que é essa falta que me faz? Que é essa agonia no peito, às sete da manhã de quase todos os feriados? Que é esse estralo que faz meu coração brilhar quando tua boca sela a minha? Que é você? Que sou eu? Que somos? Um "que"? Mal importa.
Diz agora, ela, moça dos cabelos rosas, sua vontade de não querer o mundo, de não querer que o mundo lhe queira, quando te sente assim, suspirando por ela. Poderia ser tudo, até mesmo moça de roça, vestido florido, tranças mal feitas, pés encardidos do forró dançante noite afora. Pudera eu ter um cadim de tanto bem ingênuo, que nossa má língua faz risada.
" - Não importa, moço. Não agora. Sinto-me moça boa, boa de bondade, de inocência, e não preciso de mais nada... Escreva sobre outra coisa mais mundana, que vou eu aqui, me ausentar do seu, no meu. Aproveitar cada pedaço do que realmente é. Tô com ele, sabe como é."


Deixo-a em suas mãos. Ela, que sou eu.

Sunday, May 20, 2007

Título

Acho que as palavras são minha única companhia agora. Talvez sempre.
Não faço mais que me encurvar diante de vocês, por-lhes donos do que devia ser meu, e ainda assim meu grito é meu maior silêncio. Perco-me no labirinto que sou, tentando esconder a agonia que me cerca. Já fui capaz de tanto por mim, e hoje tenho-me inócua até mesmo diante das mais atingiveis negações. E ainda, de tantas metas, tantos eu´s, tantos "tantos", nego-me a negar. Porque lhe quero bem, ou simplesmente porque te quero comigo, egocentricamente comigo. E tenho-me no direito, ora que não quero nada além. Me anulo, contudo, na ilusão de que está tudo bem.

Wednesday, April 25, 2007

A garota com o copo d´agua.

"Ela nunca soube estabelecer uma relação com os outros. Quando era criança estava sempre só."












" - Ela está no centro, e ainda parece por fora.
- Talvez seja só diferente dos outros.
...
- Quando ela era pequena não brincava muito com as outras crianças. Acho que nunca brincou."



Gosto da forma como respira, e da maneira como seu lábio superior mantém quietude quando você sorri.


ps:
Como cansar daqueles velhos clichês iniciativos de um simples texto virtual que num "puft" tecnológico pode vir a deixar de existir. É mais ou menos assim, feito a vida.
Essa mesma que sabe dividir espaços e olhares em tempos cronológicos idênticos e que, fez com que, em outubro de 1973, no mesmo segundo em que uma mosca de uma família que não me lembro o nome movia as asas tantas muitas vezes por segundo, em que, em um restaurante, o vento entrara por debaixo de uma mesa fazendo com que os copos que nela haviam balançassem sem que ninguém percebesse, e que um homem do qual não me lembro o nome apagara o telefone de seu melhor amigo de sua agenda, após voltar do velório do mesmo.
Da mesma forma em que, na transição de dezembro/janeiro de 2007, Naiara da Silva Alves vê por coincidência partes de um filme que ela nunca, até então, sentira vontade de ver. E gosta. E aluga alguns meses depois, e se apaixona. Mas não vem ao caso. (Na verdade vem sim).



Não esquecendo que sem você, as emoções de hoje seriam somente uma pele morta das emoções do passado.

Monday, April 09, 2007

Soava aos ouvidos um só som, aliás, dois: o da respiração. Ninguém ali se movia, ou pensava, ou... sentia. A verdade é que tudo o que queriam era não estar ali, por mais essencial que fosse. Precisavam, e nem é preciso dizer do que.
Há vezes em que o porque basta, há vezes em que justificativas não vão mais além do que se espera, e há vezes, em que simplesmente não há.
Os ohos, molhados, desviavam-se, tanto entre si, de um para outro, quanto daquilo, daquele, de si. Escarravam vez ou outra, as narinas, também molhadas, entrelaçando as próprias mãos, uma na outra, na tentativa de suspirar arrependimento ou esperança de que acabe logo.
Pensava ela em como dizer algo, com medo da suposta rejeição ou vergonha por tanto, por tudo, pelo sim ou não, por existir, e, antes de tudo por ainda se prender aquilo, não conseguindo com que sua palavra chegasse até os ouvidos que a compreenderiam - ou não. Por tanto que desiste, tentando acreditar que algo ali pudesse fluir a favor.
Sente o coração acelerar, como da primeira vez que vivera, as mãos acariciando sua face, e um beijo a toma. Dessa vez sim, não precisava se prender a mais nada, senão aquele.

Tuesday, March 27, 2007

Trechos e apetrechos

Lá estava, onde nada vai além. Um leve barulho de despertar lhe invade, tomando-a até que se desse por abrindo os olhos lentamente, como abrem-se as cortinas dos espetáculos. Deixa por si só os possíveis aplausos e se concenta na enxaqueca.
Levanta-se da cama, veste nos pés gélidos o chinelo encardido e caminha até o banheiro, na tentativa de se recompor com um banho frio. Sente a água escorrer sob sua face, inoperando a suposta oportunidade de pensar na vida, ou simplesmente cantar no chuveiro, como lhe era de costume.
Ignora o próprio fato de existir, - ou não existir -, e sequer sente necessidade de se dar conta de si. Senta-se no sofá, onde procuraria algum apoio para com sua indiferença, ou sim. Depara-se com os últimos minutos do dia, sentada sob a mesa, escrevendo um aglomerado de palavras que não lhe renderia muitos pontos na manhã seguinte. Era ela; Era eu. Dentro de um quadro narrativo insignificante como o vazio existente em nosso interior.



Merda de texto do caralho. Vai ser entregue amanhã, que legal.



Amor, te amo. Muita saudade, muita!

Sunday, March 18, 2007

E foi o que fiz

Disse-lhes que a mediocridade assanha. Aguniados, caluniaram-me expressivamente, como se alguma pedra realmente fosse chegar até meu peito de ferro.
E, quando me decidi por encerrar aquele com um irônico sorriso, refleti algo que minha mente considerou desprezível; Dei-lhes as costas, e então, um apunhá-lo.
Amém, adeus, ou até breve?
Basta!
Sincera foi minha ironia, enquanto venenoso é este teu falso apoio.
Basta!
Deitar-me-ei. Numa cama que provavelmente irá me derrubar ao chão.
Mas pelo menos há o que me segure. O chão. O meu chão. Ei de ser seu. Eu. Meu... Também.

Sunday, March 11, 2007

...

- Me permite uma lágrima?
- Durma, pois o sonhar nada lhe custará, apesar de todo o valor de um sonho.
- Me permite uma lágrima?
- Não cobramos a hora, o tempo é vago. Ninguém é capaz de validar, e mesmo que fossem, não o fariam. Não aqui. Deixe o ponteiro por decidir...
O soar, então, do lacrimejo. Sem sons, sem mimos, apenas escorreduras.
- Qual o limite?
- O seu.
- Qual o limite?
- O seu. Somos todos, mas não somos um só. Não há uma verdade plena, não há plenitude. Caminhe de acordo com seus próprios pés.
- Há poderes?
- Há poderes.
- Prazeres?
- Prazeres.
- Sentenças?
- Sentenças.
- Há tudo?
- Depende.
- Há tudo?
- Se sua mente lhe diz, há sim.
- Limites?
- Não.
- Minha mente diz limites. - Se desconcentrando do choro, escarrando e com os olhos molhados, os mesmos que se auto secavam naquele instante.
- Não, não diz. Ela é limitada. São coisas distintas.
- Eu... Eu... Não sei.
- É, não sabe. E é bom que saiba disso...
E, descendo daquela cama alta e coberta por confortáveis lençóis, coloca nas mãos toda sua força, se apoiando naqueles braços e dizendo:
- Me leve. Quero sair daqui.- E se foi, com os pés quentes, marcando cada um de seus passos ao chão.
Recebe então, um último dizer:
- Foi-se.








Rodrigo, te amo!

Saturday, March 10, 2007

elo

É o não saber de hoje, que traz marcas; E o de ontem, que deixou cicatrizes.
O que eu queria mesmo era um espaço só meu, nosso. Mas qualquer almejo é desconfiança.
E desde quando eu preciso ser alguém melhor? Desde quando o certo é o certo?
Pois bem. Não é por aí... Não mais.
Só peço que a noite dure... E que, senão fisicamente, sentimentalmente estejamos juntos.

Tuesday, March 06, 2007

O tempo não para...

... e nós também não.
Não da tempo. Simples assim.
Nem de acabar o que se tem que acabar, - mesmo roubando pedaços de tempo de nós mesmos -, de começar algo novo, de comer, de roer unhas, de atualizar as escritas, os pensamentos, as teorias, de planejar, de viver, de futurizar, de nada. Nada.
Mas aonde é que vai parar o tempo em que estamos produzindo algo?
Eis aí, a questão. Que, por sinal, também não da tempo de pensar.
Mas parece que a ordem dos fatores altera sim, o produto.
Ou foi a ironia de Sócrates quem escondeu o um real?


Sei que não sei.
Sei que te amo! ♥
Falta tempo, mas não falta sentimento.


Vou la, eu, produzir mais um pouco...

Sunday, February 04, 2007

É.

Uma caixa de kleenex com alguns papeis embrulhados e escarrados em volta, e uma sensação. Boa, por sinal. Única. Capaz de modificar um dia todo, me fazer sentir um outro alguém.
Era ela, era eu. E não era uma vez. Porque teria sido sempre, e não precisava ninguém avisar pra que elas soubessem disso.
A renite tão potente e irritante dessa vez não conseguira fazer com que meus nervos ficassem à flor da pele, e eu nem fiz questão do sorine. Isso me completou, e eu sequer tento saber o que sinto, apenas sinto.
Se torna complexo tentar expressar um algo com tamanha expressividade. É como um amontoado de palavras, sentimentos, e destes você tem que tirar as frases para saber descreve-los. Entende? Não. Nem eu. Nem ela. Mas é. E importa. Importa muito. Importa sempre.
"Atchim"!
Me entrego a renite... E deixe as palavras por elas mesmas.
Mas obrigada. Sempre. Por respirar, que seja.



E como eu queria o meu garoto aqui agora... E fazer com que ele soubesse dessa minha sensação, me trazendo ele. Ele, eu amo ele.


Eu segurei meu coração agora. E foi por vocês.
Sem que minha face precise expressar. É um sorriso verdadeiro. O de dentro.

Wednesday, January 24, 2007

Senhor da razão?

Tempo. Esse mesmo que tanto relato, que tanto retrato, que tanto... temo. Ele que me rouba; Ele que eu mesma roubo de mim. Ele que... ele. E eu. Eu que, fazendo uma planitude do agora, me vejo na posição "segundo plano" de mim mesma. Deixando o tempo, deixando o tempo me deixar.
Meras pontuações, saltiados, grifados, negritos, suavidade, agressão, progressão, regressão. Não sei. Simplesmente não sei. Nem o que sou, para onde vou, porque estou, o que realmente quero e sequer aonde eu realmente estou. Porque não há espaço. Espaço de tempo, de mim.. Não há nada de um "eu" realmente meu presente dentro do que denomina-se ego, e isso faz falta. E que no futuro, onde eu terei menos tempo do que hoje, eu tenha mais tempo do que hoje.


Eu, você, nós... Sempre. Almejo o desejo de agora, multiplicado no amanhã. E te amo. Amo muito.


Relatações pessoais em um blog não mudam tempos, mas aliviam corações.



"Eu pude notar nos últimos tempos, a ausência de porta retratos;
Num mundo restrito, entre moldes e trapos;
Rimas! Rimas! Cavalos... Relinchos!
Um adeus, um olá;
Um começo sem meio, um meio sem fim...
Não ser: eis a questão!"

Sunday, January 14, 2007

Sobre 2007... (Já que a tecnologia ainda não inventou o auto-controle remoto)

Necessita-se de senso. Senso grávido, ora que, um pouco apenas não vai bastar. Um texto, com milhares de linhas, entrelinhas e afins, também talvez não bastasse, mas o sentimento que fez com que esse mesmo texto fosse expresso, este sim, pode valer a pena.
Querer não é poder, e isso já virou clichê marcado e decorado de cor e saltiado. (Rimou, rs). Mas querer agir, isso SIM é poder. Não desejo nada próspero a ninguém, porque ou são todos, ou é nenhum.
E que os corações derretam junto com o calor que o efeito estufa vem causando, já que tudo anda tão "pedra"...
Fazer valer é desejar. E que então percebam, que um real de balas não irá furar seu bolso; um sorriso não irá estragar sua plástica; e que, guardar o papelzinho do lanche no bolso da sua camisa, até chegar em casa ou no lixo mais próximo, não irá ferrar com todos os horários de sua agenda superlotada.
Porque, se reclamar é fácil, ajudar a melhorar também é.

Não existe a não solução, são apenas diferenças, e estas, se bem aproveitadas, completam o mundo. De uma forma ou outra, você vai precisar do próximo, - seja ele inimigo ou não -, e ele, de você.

Wednesday, January 03, 2007

Eu sem vuce...é arroz sem feijão


-- Nossa senhora, ti coisa mais linda **.** --

Foi assim mesmo q meu cerebro reagiu quando te viu pela primeira vez amor!!! Vuce segurando o ursinhu panda, com sainha xadrez, cabelo rosa...com sorrisaum...minha paixaum aumentou, dobrou, explodiu!!!!
Inveja nunca nos atrapalhou na verdade... -- "Nossa, ela mora longe neh" -- , mora longe pra voces que nem conhecem o amor dela, porque quando conhecem, só querem mais e mais, não importando onde está!!!
porque será que todo mundo q te conhece, e encontra com voce, dá um sorrisaum, de orelha a orelha amor?? Porque será que todo mundo te chama de Nah, Panda, Beterrabinha, Pézim de alface...^^ ????
Porque voce é um amor! uma pessoa maravilhosa, que sempre queremos do lado!!!! e quem finge q num quer, é inveja! pura inveja, inveja em pessoa!!!!!
A vida vai ensinar oque é viver feliz, talvez, porque pra mim, voce jah me ensinou, e me mostra praticando te amar! te amando!
Chorar porque nós nos soltamos, e a demora vai desagradar agente mais uma vez, demonstrar sem querer, por força maior isso...num sei se vai ser toda vez, ou serão as ultimas, mas sempre vai acontecer quando a saudade vir atormentar!! Porque o amor é torturado pela saudade, mas no nosso caso, só fortalece, e da mais sede de amar!!!!
Pra mim, pela gente, pela nossa familia pela frente, pela sua, pela minha, pela vida, por tudo nesse mundo...EU TI AMUUUUUUUUUUUUUU!!!
E nunca vou te esquecer! nem te perder...nem mto menos te magoar!
porque agora eu sou feliz, agora eu nasci, vivo, vejo meu sorriso, sinto ele! Respirei, abri os olhos e nasci...denovo...Pra voce meu amor!!!!

EU TI AMU!!!!
PRA SEMPRE!!!!
(L)

** Pra quem é novato no assunto, uhauahuah, NAMORADO INVADINDO BLOG!!! **
** ** ALIAS, MTO BRAVO!!! POR SINAL ÒÓ ** **

Monday, January 01, 2007

Um eu sem mim

Quando meus pés gélidos, e minha presença ausente simplesmente esvaziam tudo o que poderia ser decretado sentimento em mim, fazendo com que eu mesma seja minha solidão. Porque não há vida aqui desde o momento em que os passos foram se distanciando para lados opostos e as mãos se soltaram, como quando uma corrente de ferro se arrebenta. Então os corações sentem-se espremidos, ora que estes, fossem as pontas, dependendo daquela mesma corrente para que se mantessem, no mínimo, sólidos. E então desaba. Cai no chão a corrente, juntamente das lágrimas que respingam sobre dois pares de sapatos que supostamente fossem all star´s, ou somente meias, pois o tempo é curto. E perde-se. Fora tudo embora. Razões, sentidos, palavras... Nada suficiente. Nada suficientemente suficiente, senão o choro final, e o desejo. Desejo de tempo, e da ausência de tempo. Porque precisa-se de tempo corrido para que alcance, e de tempo lento, para que permaneça. E que não estejamos em lugar algum, a não ser um dentro do outro, até o próximo tempo lento, que provavelmente passará muito mais rápido do que se esse mesmo fosse o tempo corrido.


Te amo. Te preciso.





















Tempo tardio esse nosso. Porém, exclusivo.